


O museu é tecnológico demais para o meu gosto, tem crianças demais para o meu gosto. A exibição do U-Boat é assustadora - um submarino alemão da Segunda Guerra capturado pela marinha americana, inteirinho, incluindo torpedos. Quanta gente esse troço matou? Gives me the chills.
Noite, rumo para Boystown. Meu bar preferido é o Hydrate. Pequeno, bem frequentado, com ótimos DJs visitantes (e pode-se fumar, se você estiver a 15 pés de distância do bar. O duro é contar 15 pés após cinco cervejas). Joe Gauthreaux estava tocando neste sábado. Além de ser gato (eleito "the Hottest DJ" pela Out) Joe tem um set altamente The Week. André Almada, querido, chama logo o Joe pra tocar aí que vai bombar.
Joe Gauthreaux, imagem do site do gato.
Um loirinho gatinho (só entra em bar nos EUA quem tem mais de 21, então suponho que ele tenha pelo menos isso) com piercings nas sombrancelhas, nariz e língua me rouoba um beijo; depois beija o namorado, que ri. Em seguida beija meu amigo, parte para um outro cara encostado no bar e tira a camisa, mostrando piercings nos dois mamilos. Kids these days...
Horas e muitas cervejas depois outro loirinho (esse tinha mais de 21, com certeza) vem dançar encostadinho em mim. Tento roubar um beijo, ele vira o rosto. Insisto, tento um "cala-a-boca-e-beija-logo". Não dá certo, no PDAs honey.
Acordo no domingo sem lembrar como cheguei em casa. Não consigo respirar direito, fumei demais. Vou ao meu restaurante favorito, Big Bowl, comer um shrimp pad thai. Como é boa a comida tailandesa! Durmo o resto do dia no sofá.
Depois de quase 3 dias sem ligar o computador, me deparo com isso e quase morro. BHY, você é demais, thanks a bunch.
So pra provar que realmente adoro os ingleses...Achei essa foto da Hellen e Judi ma-ra-vi-lho-sa! Creditos: Annie Leibovitz, para edicao de Hollywood da Vanity Fair (aqui tem o slide completo, com outras fotos muito boas). Preciso arrumar uma foto bem bonitinha da Maggie, e uma daquela outra grande "dama" inglesa, Ian Mckellen.

Gostei muito do penteado "estilo regencia" do James. Acho que vou adotar, so tenho medo de colocar tarefa tao delicada nas maos da minha cabeleireira mexicana!
Mais James (porque nao sou de ferro!)




Chega o verão nos EUAxílio e começa uma procissão de "season markets". Season markets não são nada mais que a boa e velha feira-livre, que devido ao rigor do inverno na maior parte do país aqui só rolam no verão (e com um estilo bem americano, claro - você jamais verá um "feirante" americano gritando "Olha o tomate, patroa" com toda força de seus pulmões). Tem feiras pra todos os gostos, inclusive ferias gays. Neste fim de semana fui para Chicago conhecer o evento de Boystown, que é o "distrito gls" de Chicago. A feira é simplesmente chamada de Market Days, e rola de tudo. DJs (Ralph Rosario tocou no final da tarde, ali, na rua mesmo), música folk america, algum rockzinho, pencas de barracas vendendo hot-dogs e hamburguers (feitos na hora, maldita fumaça). E pencas de homens sem camisa no verão escaldante de 35 graus de Chicago. Sem camisa, mas sem PDA (public display of affection), porque afinal de contas isso aqui é um país puritano e esse tipo de coisas não se faz!
"Call me by your name" é um dos melhores livros com "temática gay" (termo hor-ro-so) que já li. O autor, Andre Aciman, é professor de literatura em NY, e tem livros de memórias e ensaios publicados. Eu vi uma resenha sobre o livro na revista "Out" de janeiro passado, que tinha como título: "como um heterossexual sabe tanto sobre sexo entre dois homens?"
Obviamente interessado, passei semanas esperando o livro chegar na cidade onde moro (interior é interior em qualquer país do mundo!), pois não gosto de comprar livros pela internet.
Na verdade, dizer que o livro tem temática gay é meio que um engano. Como o próprio autor contou em entrevistas sobre o texto, "Call me by your name" é uma história sobre aquele tipo bem adolescente (ou pós-adolescente) de obsessão, que acaba eclipsando quase todas as demais emoções. No livro, Elio, 17, ricaço com casa de família na costa italiana, recebe para uma visita de 3 meses Oliver, 24 anos, americano loiro-lindo-charmos é rrimo, que o pai de Elio (professor) vai ajudar terminar a tese de mestrado.
A fixação que Elio desenvolve por Oliver é tão intensamente bem escrita que as vezes chega a doer. Eu, particularmente, me sentindo descendo a "memory lane". Nã sei dizer se todo mundo passou por isso, mas eu tive (e tenho) uma obsessão que dura anos, já achei que tinha terminado só para depois descobrir que ela muda de forma, se ajusta a novas condições, se esconde, como se fosse um vírus. Apesar das situações contadas por Aciman serem totalmente diferentes do que aconteceu comigo, em algumas passagens eu simplesmente tinha que deixar o livro de lado para não sofrer mais.
Mesmo quem nunca teve uma obsessão (seja amorosa, sexual, whatever) vai se sentir atraido pelo história de Elio e Oliver. Aciman descreve o que o jovem Elio sente tão bem, mas tão bem, que é como se a gente estivesse ali, no ensolarado jardim da casa de praia italiana, sentindo o cheiro de Oliver tostando ao sol.